VIDA, HONRA, ESTILO
- Solange Pereira*
- 1 de jan. de 2018
- 2 min de leitura
No dia 17 de setembro de 2017, faleceu em Belo Horizonte, a 96 anos, a jequitinhonhense Neorck da Cunha Souza.
Na pessoa de Neorck da Cunha Souza, produtora rural, primeira professora em Jequitinhonha com diploma da Escola Normal, primeira mulher a dirigir o Executivo local, nós vemos em ação esse espírito que fundou, trabalhou, transformou, deformou, construiu, desconstruiu e manteve essa cidade até hoje.
É o espírto das velhas familias, origem de tudo, que aqui mesmo já saudei, com essas mesmas palavras, na pessoa de outro jequitinhonhense - esse sempre muito vivo.
Repetindo a mim mesma - há idéias que amadurecem e mais produtivas se tornam quanto mais repetidas são – há hoje uma visão caricata da História.
E que nos obriga a condenar o que não vai no senso da ideologia do populismo-demagógico, que se quer avançada mas que não passa de um ranço de puritanismo dos mais anacrônicos.
É o bom contra o mau, o “nós” contra “eles”, e qualquer outra análise é ridicularizada.
A História do Brasil seria a luta sucinta dos pobres contra os ricos, e que teria começado recentemente. É a história vista pelos que só podem pensar ao nível de história em quadrinhos.
UMA VIDA, UM ESTILO
Continuo me repetindo: ninguém pode, nem precisa, negar o que foi a construção da cidade. Houve do bom e do ruim. Houve conscientização. Reflexão. Ação. Erros e acertos. Velhas familias, como as que Neorck da Cunha Souza representava, foram - e continuam a fazer- parte do jogo social, sem qualquer espirito de elitismo. Altivez não é arrogância.
Todos os valores, que Neorck da Cunha Souza representou, decoro, honestidade, honra, respeito aos concidadãos e às leis, amor ao trabalho bem feito, deveriam, para maior felicidade da nação, continuarem vivos e venerados. Sua vida teve estilo.
HONRA
A essa cidadã, minhas saudações, seu exemplo sempre presente na minha consciência; à colega produtora rural, meu respeito profundo pelo rigor profissional demonstrado; à minha madrinha Neorck, que tanto afeto me deu, minha saudade. (*Proprietária rural)



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